6 de setembro de 2011

Só não queria que ele soubesse disso

Eles não tinham uma música, um lugar, uma cor. Ele odiava quando ela ria de suas crises e sempre o corrigia. Ela sentia vontade de jogá-lo de um abismo toda vez que ele fazia piada sobre a roupa dela, sua voz gritante. Eles se beijavam toda vez que ele ia embora. Havia uma trégua entre a batalha costumeira e a pegação em massa. Ele, vencido pela pirraça, passava o braço pela cintura dela e respirava em sua nuca. Ela, vitoriosa, enroscava seus dedos nos deles sorria escondida. Eles ficavam em silencio, um misto de preguiça e deleite. Era mais um daqueles momentos que não precisavam de palavras... Era um ritual interessante. Ela beijava os cantos do rosto dele, provocando sua boca, desviando, feito uma menininha melindrosa. Ele apoiava o queixo em seu ombro e o acariciava com a ponta do nariz. Até que a batalha acabava, os lábios se encontravam e por um instante não havia jogos. Eles se transformavam, pareciam quase se completar. Era assustador...

Ele oferecia seu peito pra ela, ela ouvia cada batida de seu coração e isso parecia intimo demais pra eles. Fácil era beijar seu pescoço, arrancar sua blusa e deixá-lo louco. Difícil era aguentar ouvir seu coração bater sem querer ser o motivo de cada batida. Quando ele ficava em silencio e olhava pra ela desarmado, ela também quase se desarmava. Quase! Respirava fundo e virava o rosto desejando que ele voltasse a olhar a TV. E que ela pudesse lamentar baixinho sua covardia... Deus, como ela desejava ter tido a coragem! Coragem de dizer que sim, em algum momento ela o amou. Amou desesperadamente, desejando o "pra sempre" de qualquer conto de fadas bobo. E mesmo que a ideia de amá-lo começou a parecer ridícula, ela queria ter tido a coragem de dizer que ele poderia te-la feito se apaixonar. Ou fez, como ela não conseguia perceber.E eles poderiam bancar os dois idiotas se amando, se superando. Já era tarde, ela tava ficando com sono. E os delírios de "como poderia ter sido" estavam indo longe demais. Ela queria fechar os olhos e pensar em outra coisa, mas não conseguia. Sonhava com ele, sentia seu cheiro, revivia cada gesto, cada gosto. Gostava de sentir uma coisa estranha no estômago quando olhava pra ele. Gostava quando ele enrolava os dedos em seus cabelos e apertava sua nuca. Ela gostava dele e ponto. Só não queria que ele soubesse disso...

Ellen Cristina

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