2 de abril de 2010

Ovo de Páscoa com brinde custa o dobro e tem menos chocolate

O Idec pesquisou 23 diferentes ovos de chocolate das cinco marcas mais presentes em supermercados da capital paulista e constatou que os brindes encarecem exageradamente o produto, o que descaracteriza, em muitos casos, a gratuidade do presente

Os preços médios de 23 ovos de Páscoa pesquisados pelo Idec em supermercados da cidade de São Paulo apontam que os populares brindes, cada vez mais presentes nos produtos destinados ao público infantil, não são gratuitos.
Os presentinhos, em geral, de personagens famosos de desenhos animados, além de denunciar a falta de compromisso das empresas com seus próprios códigos de autorregulamentação publicitária sobre a comunicação dirigida às crianças, fazem muita diferença no bolso: 100g de um ovo de chocolate com brinde podem custar 102% a mais que a mesma quantidade de um sem brinde da mesma marca ou conter até 37,5% a menos de chocolate.
A pesquisa foi feita entre 25 e 26 de março em cinco estabelecimentos das redes de supermercados Carrefour, Extra, Pão de Açúcar, Sonda e Walmart e considerou ovos de Páscoa das marcas Arcor, Garoto, Lacta, Nestlé e Village. A ideia foi pesquisar apenas ovos de nºs 14 e 15, dos tipos mais simples (chocolate ao leite), sempre que possível. Para cada uma dessas marcas, o Idec colheu também o preço de pelo menos um ovo sem brinde. Mas em alguns casos os ovos não traziam número e também foi necessário incluir um ovo de nº 20 da Arcor, pois era o único oferecido sem brinde.
A principal constatação da pesquisa foi a de que a inclusão de brindes nos ovos - prática hoje generalizada - pode elevar o preço médio de cada 100g de chocolate em pelo menos 40%. Mas a diferença entre os preços de um ovo sem brinde e outro com brinde é muito maior se a comparação for feita entre os preços individuais de cada produto, sempre considerando cada 100g de chocolate.
A título de exemplo, enquanto 100g de chocolate do ovo Alô Doçura nº 15 (sem brinde), da Garoto, saem por R$ 6,96, na média de todas as cotações, outras 100g de chocolate de um ovo Baton nº 15 (com helicóptero), também da Garoto, podem custar R$ 14,06, na média. Isto é, o ovo com brinde pode custar até 102% a mais que o outro sem o presentinho. Se considerarmos os extremos de preço encontrados para esses dois ovos nas redes de supermercados pesquisadas a diferença entre o ovo simples e aquele com brinde chega a 192,7%.
Outro exemplo de diferença de preço: 100g de chocolate do ovo Classic da Nestlé (nº 15, sem brinde) custam, na média, R$ 7,45; enquanto isso, 100g de chocolate da mesma Nestlé, desta vez do ovo Batman (nº 15, Batmoto e Batmóvel com pulseira), valem R$ 12,03, também em média. Isto é, cada 100g de chocolate de um ovo com brinde da Nestlé custam 61,4% a mais que as do ovo sem brinquedo. E o ovo com brinquedo pesa 180g, enquanto o outro pesa 240g, ou 33,3% a mais de chocolate.
Esta disparidade aponta para o fato de que os brindes são, na verdade, muito bem pagos pelo consumidor (R$ 7,1 é a diferença de preço no primeiro exemplo acima), embora isso não seja informado. O custo adicional diz também respeito ao uso da licença de uma determinada marca (de personagem, por exemplo). Para preservar a opção do consumidor que quer adquirir apenas o ovo de chocolate, o Idec entende que este também deveria ser oferecido separadamente do brinquedo. Esta situação é análoga à que ocorre com alguns kits infantis de fast foods, que hoje são obrigatoriamente oferecidos em separado do brinquedos.
O exemplo citado acima dos ovos da Garoto serve para mostrar também que a numeração não é um indicativo seguro para o consumidor comparar preços, já que a variação de peso para um ovo da mesma marca e de mesma numeração (15) pode ser bastante grande: se a unidade do Alô Doçura tem 240g, a do Batom possui apenas 150g, ou 37,5% menos chocolate.
Como a numeração pouco ajuda e nem sempre o consumidor pode levar uma calculadora e fazer a conta do preço de cada 100g de chocolate, a dica mais prática é evitar os ovos com brinde. Em geral, não só seu preço unitário é mais elevado, como também o preço por cada 100g de chocolate, já que, via de regra, são mais leves que os ovos sem brinquedos.
A prova de que os brindes são os grandes responsáveis pelo encarecimento dos ovos está na variação da média dos preços dos ovos sem brinde pesquisados: 100 g do mais barato (Chocolate ao leite, sem numeração, da Village) custam R$ 6,08; e 100g do mais caro (Chocolate ao Leite, nº15, da Lacta) saem por R$ 7,77. A diferença entre eles é de apenas 27,7%. Além disso, o preço médio de 100g do ovo sem brinde mais caro está muito próximo da média do preço de 100g do ovo com brinde mais barato (R$ 6,84, Chocolate ao leite Scooby-Doo com skate, da Village).


Compromissos ignorados


A presença de brindes com personagens licenciados nos ovos de Páscoa não apenas encarece os produtos, mas também denota como as empresas são incapazes de assumir no Brasil, compromissos que elas mesmas prometeram cumprir, seja em plano mundial, seja no âmbito local.
Pelo menos três fabricantes dos ovos pesquisados (Garoto, Lacta e Nestlé) são signatários de algum desses compromissos voluntários, mas lançam mão em quase todos seus produtos oferecidos a crianças de personagens de filmes ou de desenhos animados (Ben 10, Batman, A Era do Gelo, Meninas Superpoderosas, Hello Kitty, Max Steel, Polly Pocket e Spider Man).
Os códigos de autorregulamentação assinados pelas empresas no Brasil e no mundo tentam frear legislações nacionais mais rígidas em relação à comunicação voltada a crianças, cogitadas no âmbito de uma crescente epidemia mundial de doenças crônicas não transmissíveis ligadas ao fenômeno da obesidade (distúrbios cardiovasculares, hipertensão e diabetes).
Os compromissos preveem, em vários casos, o fim do uso de personagens licenciados de terceiros em produtos de sua fabricação. Nos EUA, a proposta assinada por treze multinacionais norte-americanas (ente as quais a Kraft Foods) foi a chamada US Council Better Business Bureau Children´s Food and Beverage Advertising Initiative; na Europa, foi o EU-Pledge (EU Platform on Diet, Physical Activity and Health), compromisso voluntário também assinado por onze multinacionais do setor alimentício (entre as quais a Nestlé e a Kraft Foods). As duas empresas também entregaram à Organização Mundial da Saúde (OMS), em maio de 2008, uma carta na qual declaravam que promoveriam em todos os países em que atuavam, grandes mudanças, entre as quais, a alteração de práticas de marketing e publicidade de alimentos e bebidas, particularmente os dirigidos ao público infantil.
Os compromissos deveriam começar a valer desde o final de 2008 mas, no Brasil, tal fato não se verificou até hoje. Desde 2007, após o anúncio feito nos EUA, o Idec e o Instituto Alana questionaram as empresas sobre seus planos para o país. Apenas a Masterfoods Brasil Alimentos Ltda. se explicou, à época.
No Brasil, especificamente, em agosto de 2009, várias empresas, junto com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (ABIA) e da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) se anunciaram com alarde a assinatura de um compromisso público regulamentando a publicidade de alimentos e bebidas não saudáveis dirigidos à criança. Entre os signatários, estava gigantes como McDonald s, Coca-Cola, Pepsico, assim como as fabricantes de chocolate Kraft e Nestlé. O texto brasileiro pretendia ser uma cópia de práticas que as empresas já adotam em outros países e que deveriam ser implementadas até o final de 2009.
Apesar de tantos papéis assinados pelas empresas com compromissos para frear a propaganda de produtos não saudáveis às crianças, o levantamento do Idec constatou a utilização das mesmas estratégias com apelos de personagem e brindes para atrair os pequenos.
Tendo em vista o que foi constatado na pesquisa, o Idec pretende contatar os fabricantes dos ovos pesquisados e questioná-los em, pelo menos dois pontos: a) se eles pretendem oferecer os brindes separadamente dos ovos, deixando a opção de adquirir o conjunto ao consumidor; e b) se as empresas pretendem, em algum momento, assumir compromissos semelhantes aos assumidos lá fora, inclusive renunciando ao uso intenso de personagens licenciados de terceiros em seus produtos.
Extraído do site do Idec em Ação

Apesar de tudo isso, como ignorar um pedido do filho, dificil né?????

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