17 de fevereiro de 2013

Trechos de “Marley e Eu

Marley me fez pensar na brevidade da vida, em suas alegrias efêmeras e nas chances perdidas. Ele me lembrou de que cada um de nós tem apenas uma chance de conquistar a medalha de ouro, sem replay. Num dia, estamos nadando no meio do oceano, certos de que vamos alcançar uma gaivota; no dia seguinte, mal conseguimos nos
abaixar para beber água em nossa tigela. Como todo mundo, eu tinha apenas um vida para viver...Por quanto tempo ele iria agüentar? E em que momento as dores e os revezes da velhice iriam superar o simples contentamento que ele encontrava a cada dia sonolento e preguiçoso?
Naquela segunda-feira eu já estava perto do... centro da Filadélfia, quando meu celular tocou...
Era a veterinária. É uma situação de emergência com Marley – ela disse.
Ela informou que colocara um tubo em sua garganta e sugado quase todo o gás que estava em seu estômago, o que aliviara o inchaço. Manipulando o tubo, havia conseguido desvirá-lo, e ele havia sido sedado e agora estava repousando...
Apenas temporariamente – respondeu a médica – é quase certo que isso irá acontecer novamente... o caso é muito grave... será algo difícil para um cão nessa idade... a recuperação seria longa e complicada... às vezes, cachorros mais velhos como ele não conseguem sobreviver.

.. ela explicou...
Nós sabíamos que es te dia chegaria; só não imaginávamos que fosse aquele dia. Não quando ela e as crianças estavam fora da cidade sem poder se despedir... Queria estar lá com ele se fosse possível...
A espera havia durado treze anos, mas Marley finalmente teria direito a comida de gente; e nada de sobras, mas comida feita especialmente para ele...
Pensei principalmente em como ele havia sido um companheiro bom e leal durante todos aqueles anos. Tinha sido uma jornada e tanto...Mas eu via que estava chegando a hora em que tería

mos de deixá-lo ir...
Queria que ele soubesse de algumas coisas. Sabe todas aquelas coisas que sempre falamos de você? – sussurrei. – Que você era um saco? Não acredite nisso. Não acredite nem por um minuto, Marley.
Ele precisava saber disso e algo mais também. Havia algo que eu nunca lhe dissera, que nunca ninguém lhe disse. Queria que ele ouvisse antes de morrer: Marley, você é um grande cachorro, eu disse...
Ajoelhei-me novamente à sua frente, segurando sua cabeça entre minhas mãos, enquanto ela preparava a seringa e a colocava no cateter... Ela injetou o líquido. Sua mandíbula estremeceu de leve... Ela disse: ele se foi. Ela me deixou sozinho com ele. Ela estava certa; Marley se fora. Encontrei Jenny... mas eu não conseguia encontrar palavras. Então, ficamos simplesmente abraçados...
Percorri o quintal... entre duas grandes cerejeiras... finquei minha pá. Eram as mesmas árvores por onde Marley e eu passamos disparando com o tobogã...“Para Marley: espero que você saiba o quanto eu o amei minha vida toda. Você sempre esteve ao meu lado quando precisei de você. Na vida e na morte, sempre vou amar você. Seu irmão, Conor... PS: Nunca vou esquecer você”.
Entrei na cova, abri o saco para olhá-lo pela última vez, e coloquei-o em uma posição natural e confortável – como ele ficaria se estivesse na frente da lareira, enrodilhado, a cabeça sobre a lateral de seu corpo. Tudo bem, velhão, é isso aí...
Fizemos uma pausa e, então, como se estivéssemos ensaiado, falamos todos ao mesmo tempo: Marley, nós amamos você...
Para as crianças se sentirem melhor, contei-lhes algo que eu, no fundo, não acreditava. “O espírito de Marley agora está no céu dos cães. Ele está em uma imensa planície dourada, correndo livre. E seus quadris estão bons novamente. E sua audição voltou, sua visão está ótima e ele tem todos os seus dentes. Ele retomou sua forma física e persegue coelhos o dia inteiro”...
A imagem de Marley mexendo-se de forma estabanada pelo céu fez todo mundo gargalhar.
Todas as noites, durante treze anos, ele ficara à porta de casa à minha espera. Voltar agora no final do dia era a parte mais difícil...
Jenny... resolveu extravasar. “Eu sinto falta dele. Quer dizer, eu realmente, realmente sinto a falta dele. Sinto tanto a falta dele que chega a doer em mim”. Eu sei – respondi. – Eu também sinto...
Jamais haverá outro cão como Marley...
Uma pessoa pode aprender muito com um cão, mesmo com um cão maluco como o nosso. Marley me ensinou a viver cada dia com alegria e exuberância desenfreadas, aproveitar cada momento e seguir o que diz o coração. Ele me ensinou a apreciar coisas simples... E enquanto envelhecia e adoecia, ensinou-me a manter o otimismo diante da adversidade. Principalmente, ele me ensinou sobre a amizade e o altruísmo e, acima de tudo, sobre lealdade incondicional...
Marley como mentor. Como professor e exemplo. Seria possível que um cachorro... pudesse mostrar aos seres humanos o que realmente importava na vida? Eu acreditava que sim. Lealdade. Coragem. Devoção. Simplicidade. Alegria. E também as coisas que não tinham importância. Um cão não precisa de carros modernos... ou roupas de grife... Um pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não...
Só quem tem cães pode entender o amor incondicional que eles oferecem e a dor imensa quando eles se vão... Nossos animais de estimação têm vida tão curta e, ainda assim, passam a maior parte do tempo esperando que voltemos para casa todos os dias. É impressionante quanto amor e alegria eles trazem para nossas vidas, e quanto nos aproximamos uns dos outros por causa deles...
Finalmente (sim, enfim, mais uma vez), preciso agradecer àquele meu amigo de quatro patas...”
(Trechos de “Marley e Eu” de John Grogan
)

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