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07/01/2014

Descartando o que faz mal . . .

"A gente precisa parar com essa mania de colocar os problemas em uma mala e sair carregando por aí como se eles fossem essenciais. Não são. Aliás, tudo que te faz mal é completamente descartável."
Gabito Nunes

28/12/2012

Na verdade, eu preciso não pensar . . .

Quando você fez tudo o que foi preciso e ainda

assim não foi o bastante, é isso que eu chamo de impossível.

Não adianta, é só teimosia, nosso amor só funciona na horizontal.

Digo a ele que não preciso de carona merda nenhuma e

vou andando até em casa. Eu preciso pensar.

Na verdade, eu preciso não pensar.

Tenho medo de descobrir coisas que não quero. E não dá outra,

no trajeto eu me dou conta que eu sou sim uma garota inflável.

Sempre quando eu acabo vindo, no dia seguinte

eu me sinto flácida, murcha, vazia,

embrulhada e guardada numa gaveta.

02/06/2012

Sinto muito . . .

Não importam os pontos já somados ou o quanto você foi legal, seremos julgados eternamente por um único e isolado e grande erro.
Sinto muito, é assim que funciona.
Não existe justiça nisso que chamamos de "vida".
Às vezes somos resumidos por aquilo que só fizemos uma vez, se acaso aquilo que só fizemos uma vez modificar alguém para sempre.



Gabito Nunes

26/02/2012

Não quero perder nada


Quando vem isso, essa angústia, essa falta de eletricidade entre nós, te mando embora. Mas fico impressionada de como você muda na hora de ir. Fica mais bonito, mais comovente, mais engraçado, mais tentador, mais charmoso, mais irresistível.

Mas, e daí? Fica. Foi uma crise dessas internas, quando o sentido de tudo sofre um mal súbito. Você sabe, eu procuro o amor romântico. O que vou fazer? Não sei me enganar. Acho que é instinto, algo muito maior que eu.

Bastam uns dias sem te ver pra eu já não saber o que fazer com os próximos. Por um fio não pego um banquinho alto e tento me decapitar com a hélice do ventilador de teto. Talvez uma morte ridícula possa animar minha noite. Mas eu não quero morrer, é uma depressão, um cansaço que chega quando o sentido se esconde.

São apenas mudanças. Nossas necessidades trocam o tempo todo, hoje carinho, amanhã sexo, depois dinheiro, romance, diversão, solidão, quietude ou merda qualquer. Quando vê a gente se perde. É só tudo perder o sentido e a gente se separa. É só a gente se separar pro sentido voltar. O brabo é toda hora ficar procurando uma nova canção que sirva pra nós.

Isso me incomoda. Ontem, eu premeditei seriamente em te dizer "olha, senta aqui, não tá dando mais, acho que vou seguir um caminho diferente e mais fácil, não fala nada não, eu já me decidi". Eu realmente me sinto culpada por pensar assim, às vezes, toda semana. Não sei se você concorda comigo, mas estar junto não é tão ruim assim. Então, fica sempre pra depois.

Não vou dizer que é tudo mágico. Mas eu também não quero perder nada. Você vai argumentar com alguém com todos aqueles trejeitos engraçados e quero estar lá pra rir. Vai roçar com a ponta de todos os dedos a barba mal feita no gogó e eu quero estar lá pra implicar. Eu quero protestar quando seus pratos não seguem a receita que achei na internet. Tem sempre um filme na tevê que ainda não passou.

Não sei se é apego ou porque minha vontade de saber o que você vai me aprontar amanhã nunca cessa. Tem sempre algo que a gente sonhou fazer juntos e não quer deixar inacabado. Ninguém tira meia fotografia, ninguém viaja até a metade do caminho, não fica bem sair no meio de uma peça de teatro, ninguém telefona por meia pizza. Um trabalho não finalizado não é um trabalho.

Vai ter sempre algo. Uma roupa pra buscar, uma festa de aniversário de algum amigo em comum, um truque novo na cama, um episódio de estreia daqueles seriados que você me ensinou gostar, a doença da sua mãe. Essas pequenas coisas. De algo em algo, a gente vai levando.

As coisas que acabei de dizer, leve em consideração só até a meia-noite. Eu sempre tento virar a página sem grifar as partes importantes com alguma caneta de cor alarmante. Mesmo num amor de linhas tortas como o nosso, o fim parece um erro, como um ponto final no meio da frase

Interrupção . . .

"Escuta, de uma vez, eu poderia dizer que voltamos à estaca zero,
mas esta foi cravada no dia que a gente se encontrou.
Depois de tirar um pouco os pés do chão, caímos juntos e abraçados num poço escuro e vazio e sem fim.
Agora estamos no negativo, a gente simplesmente deve algo um pro outro. E nem vem, não adianta,
quem ama o difícil, muito fácil lhe parece. Sei da sua indolência, mas quero tentar mesmo assim,
porque já não dá mais pra passar um dia sem que minha história conte um pouco da sua.
Cada vez que eu for até sua boca, é um degrau de subida,
a gente já foi fundo, fundo demais, não há mais como cair.
De agora em diante, o maior risco que a gente corre é ser feliz."

20/08/2011

Não perca o agora

"Não perca o agora, o hoje e tudo que está ao seu redor.Principalmente as pessoas.
Pois, se não notou, é por elas que você busca grandes coisas.
De todos os beijos que você dá, nunca saberá qual deles será o de despedida."

Gabito Nunes

25/07/2011

Não me esconda o rosto . . .

Me diga que está triste, eu consolo. Me diga que nunca foi tão feliz, eu concordo. Me ame ou me odeie. Me mande pra puta-que-o-pariu ou me convide pra ir com você. Exploda na minha cara ou se derreta na minha mão. Deixa eu te ver morrendo de tanto rir ou com vergonha das olheiras de tanto chorar. Só não me esconda o rosto. Me abrace, me esmurre, me lamba ou me empurre. Só não me balance os ombros. Não me perturba assistir tua dor nem acompanhar teu gás.

Te ver mais ou menos realmente me incomoda. Mais ou menos não rende papo, não faz inverno nem verão, não exige uma longa explicação. É melhor estar alegre ou estar triste, mais ou menos é a pior coisa que existe.

16/06/2011

Romance


"Todo romance só vale a pena por sua fascinação, que reside nas coincidências, nos impulsos, no senão, na pessoa errada..."



Gabito Nunes

Qualquer coisa mesmo . . .

"Tudo mudou agora. Exceto minha mania de fazer o que for, whatever it takes, qualquer coisa mesmo, só pra ficar o tempo todo ao seu redor."


Gabito Nunes

09/06/2011

Tudo o que sempre quis

"Porque apesar da sua cara de brabo, você é tão fácil, tão leve, tão solto, tão tudo que eu sempre quis."

Gabito Nunes

28/05/2011

Clichês Possíveis

- Alô?
- Oi, sou eu. O que foi aquilo?
- Aquilo o quê?
- Não desconversa. Quando acordei já não estavas mais.
- (…)
- Eu disse que precisava de você pra dar o nó na minha gravata.
- Meio cedo pra essas dependências. Esta situação não me deixa confortável. Mas como foi?
- Foi fácil atar o nó da gravata perto da missão que é desatar teu coração.
- Falo da reunião.
- Não quero falar de trabalho. Quero falar de nós dois. Quero falar de amor.
- “Amor”. Eu não gosto de dar nome às coisas.
- Tenho pena do teu siamês então. Os outros gatos devem rir do fucinho dele nos encontros de telhado e lua cheia.
- (Risos)
- Viu? Eu te faço rir. Nós separados, o tempo passa lento, rápido, agonizando, depende do dia. Nós juntos, o tempo passeia. Somos ótimos. Deixa eu entrar na tua vida de vez, vai. O resto a gente vê depois.
- Eu não estou acostumada a ter alguém me mimando. Na verdade não sei exatamente o que é isso que está acontecendo.
- O mundo te convenceu que não existe isso que eu quero te dar. Errei?
- Acertou. Os outros caras fizeram esse trabalho.
- Não sou os outros caras. Sou eu, com toda redundância. E ter perdido algumas vezes não a faz uma mulher menor. Quem fechou seu corpo foi você, eles só sugeriram que o fizesse. Você obedeceu calada. E daí se você não está acostumada a ser amada? Eu também não estava habituado a comer alimentos sólidos quando nasci, mas encarei. A vida é isso, encarar as coisas que acontecem. Sem fugir.
- Não quero me machucar.
- Você quer evitar os medos para evitar a dor? Nem Pitágoras entende essa matemática. O resultado é uma vida sem riscos então. Isso? Adrenalina pura.
- Clichê.
- Mas serve pra nós dois.
- Quando eu disse que já sabia onde isso daria, não queria estar no controle da situação, só não queria assistir o mesmo filme de novo.
- Eu limpo teus lençóis sujos dessas paixões canalhas que você teve. Só precisa deixar meu amor abrir tua porta.
- Clichê, parte dois. Tá parecendo letra de pagode já.
- Sou capaz de tornar todos os clichês possíveis. É só lembrar que o amor é bem maior que qualquer outra coisa.
- Clichê, parte três. E o pior é que sei disso. É isso que me assusta. Isso me irrita em você, na verdade.
- Tá, você vai esperar eu me emputecer e ir embora pra me amar? Assim como todos seus amores anteriores? Muda o disco. Me perdoa se eu te fiz lembrar que a vida é doce.
- É sim. Só que eu sou diabética, acho.
- Me chama de insulina então. Tu me quer. Tu me adora que eu sei, não adianta dar voltas. Certo?
- Odeio quando tu tá certo. Odeio.
- Então me joga tuas tranças ou tua chave, “Rapunzel”.
- Quê?
- Tô na frente do teu prédio.

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