"Tenho sido acometido constantemente pelo inédito, pelo inesperado, pela
novidade.
Nem mesmo eu sabia o quanto estava precisando de novos ares, novos
lugares, novas histórias pra contar. Ano passado foi bom, mas repeti demais,
permaneci demais em situações que eu sabia que dariam errado desde o começo.
Muito disse, muito senti, estraguei uma ou outra coisa, mas sobrevivi. Qualquer
outro caminho que eu
tivesse seguido não me teria trazido até o agora. Eu estou gostando do agora. E
isso só me deixa mais ansioso pelo que me está reservado no depois. Parei de
caminhar pela marquise, com medo da chuva. Me deixei atingir por raios. E sempre
tem um ou outro que é forte o suficiente pra te fazer o coração parar, pra
voltar a bater ainda mais forte. É intensa, a vida de quem corre na chuva, sem
desviar das poças d’água. É imprevisível, a vida de quem caminha sem medo de
escorregar, de olhos fixos no horizonte, desatento às pedras no chão. Os tombos
viram cicatrizes e, em seus pontos recém costurados, se pode ler uma porção de
coisas. E entre “não faça isso” e “faça aquilo”, a gente passa a caminhar por
estradas cada vez mais estreitas, quase claustrofóbicas. São tantas as lições
que a vida nos dá, que, por vezes, vemos nosso mundo se restringir a minúsculos
cubículos cercados por instransponíveis muralhas. Assim a gente pára de
caminhar, e passamos a viver em um eterno ciclo repetitivo. E é quando essa
situação se transforma numa chaga insuportável, a gente apalpa as próprias
costas e descobre que somos dotados de asas. Lá de cima, a gente pode acompanhar
todos os caminhos que deixamos de percorrer, por medo de colecionar novas - e
mais doloridas - cicatrizes. Tomados pelo arrependimento, descobrimos que nossa
estrada não é de duas mãos"
Lucas Silveira
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13/09/2012
27/07/2012
Sob o mesmo céu . . .
“Enquanto meus braços
não são capazes de te alcançar,
contento-me com a certeza de que estamos
sob o mesmo céu…”
( Lucas Silveira )
04/09/2011
Alguém tem um canivete suíço? Tu tens.
É só eu repousar meus braços sobre o papel que, sem que eu tome conhecimento, as linhas que eu escrevo se amarram em meus pulsos, como algemas de náilon. Fico preso a essas folhas e, a cada movimento que faço tentando me libertar, mais profundos são os sulcos que essas linhas entalham na minha pele.* Não mais consigo empunhar a caneta. E o nó se aperta, atritando-se contra meus ossos. O sangue toma conta dos papéis, apaga as palavras, desaparecem as linhas. Estou livre para escrever novamente. Me pergunto:* Devo eu não escrever? Não dizer? Devo eu apenas guardar pra mim esses contraditórios sentimentos bifurcados? Se toda vez que a ela falo flores, elas se despem das pétalas e atingem teu rosto como espinhos, devo eu me calar? Se toda vez que te escrevo rosas, ela as pega pelo cabo e o sangue daquelas mãos mancha minhas palavras?* Meus pulsos doem. Alguém tem um canivete suíço? Tu tens.
Lucas Silveira
Lucas Silveira
29/08/2011
E mesmo quando o vento . . .
"E, mesmo quando o vento consegue derrubar um dos meus pilares, me alegra ver que tenho gente pronta pra me reformar. São remendos, rebocos, estacas e escoras. É cimento, é argamassa, é durepóxi, pode ser até goma de mascar. Guardo comigo esses remendos, bem como a fisionomia de todos que se prontificaram a me arrumar. E sempre que faz sol eu saio pela rua pra erguer paredes que caem a todo minuto. Retribuir."
(Lucas Silveira)
(Lucas Silveira)
17/08/2011
Existe alguém . . .
Existe alguém em mim que quer falar tudo que acha que sente.
Quer dizer que faz qualquer coisa pra te ter ao lado todo dia à noite.
Esse alguém te quer.
Existe alguém que duvida.
Duvida do que tu sentes e, justamente por isso, não diz o que sente.
Ele não diz, e te faz achar que ele não sente nada por ti.
Esse alguém te gosta muito.
Existe também alguém que ferve.
Alguém que ignora todo o sentimento, pois espera a cada esquina por algo melhor, algo que nunca aparece e que o faz permanecer nessa incessante busca.
Esse alguém não vive sem ti.
Lucas Silveira
03/08/2011
Remendos
"E, mesmo quando o vento consegue derrubar um dos meus pilares, me alegra ver que tenho gente pronta pra me reformar. São remendos, rebocos, estacas e escoras. É cimento, é argamassa, é durepóxi, pode ser até goma de mascar. Guardo comigo esses remendos, bem como a fisionomia de todos que se prontificaram a me arrumar. E sempre que faz sol eu saio pela rua pra erguer paredes que caem a todo minuto. Retribuir."
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